O Impacto da Pandemia

maio 19, 2020

A recente pandemia do COVID-19 travou uma tendência ascendente da utilização do transporte público em Portugal. A recuperação da atividade económica dos últimos anos e, nomeadamente, a criação do PART (Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos) trouxeram mais utentes aos comboios, autocarros e metropolitanos do país. Se a isto somarmos a vontade do Governo de concluir obras ferroviárias, lançar novos projetos e por mais comboios a circular (com a reabertura das oficinas de Guifões e a promessa de compra de comboios novos), Portugal estava bem encaminhado para um futuro com mais transporte público e uma menor pegada ecológica.

Esta boa onda nos transportes sofreu um sério revés com a pandemia em curso. Primeiro, com o confinamento e a adaptação de parte dos trabalhadores ao teletrabalho, as deslocações casa-trabalho-casa reduziram-se drasticamente. Paralelamente à redução da procura verificou-se uma redução da oferta, e as taxas de utilização desceram a níveis baixíssimos.

Com o desconfinamento surgiram novas imposições sanitárias, relativas à lotação dos transportes e à obrigatoriedade da utilização da máscara. E surgiu também o medo de utilizar os transportes públicos, cada vez mais associado à sobrelotação e à propagação de vírus.

Pela Europa fora os governos locais e nacionais têm apelado à substituição da utilização de transportes públicos por modos suaves, como o pedonal e a bicicleta, aumentando até passeios e criando ciclovias onde estas não existiam. Vemos estas medidas com bons olhos mas apelamos aos nossos decisores que não desistam do transporte público. Que não abandonem projetos anteriores à pandemia e que empreendam campanhas ativas e ações concretas para que aumente o grau de segurança e de confiança dos utilizadores de transportes públicos, para que esta ferramenta tão importante da nossa sociedade não seja votada ao esquecimento.

Nuno Gomes Lopes

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