De novo: a urgente necessidade de suprimir as passagens de nível
Quinze anos depois da eletrificação da Linha Braga-Porto, com supressão de passagens de nível, ainda restam algumas no troço entre Ermesinde e Contumil. Ainda hoje o comboio Alfa atropelou mortalmente uma pessoa na passagem de nível junto à estação de rio Tinto. Isto deve-se ao facto de ainda não se terem completado o que estava previsto para este troço, que era a quadruplicação da via e a supressão de passagens de nível. A associação tem insistido na urgência destas obras mas, até ao momento, nem existe sequer data prevista para o seu início.
António Cândido de Oliveira
Professor Catedrático Jubilado
Presidente da Direção da Associação Comboios do Século XXI
É de facto um problema cuja resolução é urgente. Um dos lados desta questão, normalmente esquecido, é o trauma que estes eventos provocam nos maquinistas. Portugal é o segundo país da Europa onde a probabilidade de um maquinista, ao longo da sua carreira, estar, pelo menos uma vez, sujeito a um evento traumático destes é mais elevada. Na verdade, existem muitos maquinistas portugueses a quem isto já aconteceu várias vezes ao longo da sua carreira; havendo mesmo casos em que o número de colhidas em que estiveram envolvidos ultrapassa largamente a dezena. São eventos que marcam profundamente, causam trauma e podem, a longo prazo, vir a consubstanciar-se num caso clínico de stress pós traumático.